Monday, April 16, 2012

Uma Crise a várias velocidades



As disparidades regionais desta crise desafiam algumas marcas e negócios a pensar estratégias diferenciadas de acção dentro de um país tão pequeno?

Thursday, February 9, 2012

Os jovens: mais do que consumidores, stakeholders

O C apresentou hoje os resultados do estudo “18-28 anos: Vida Adiada ou Vida Libertada?” na livraria Buchholz (LeYa).
Muitos temas foram discutidos, da ansiedade declarada com que vivem o contexto actual à relação séria que têm com o dinheiro, da sua capacidade de separarem envolvimento com as marcas de relação comercial à sua vivência quotidiana do long tail.
Ficou uma ideia central para as marcas e empresas: chamar-lhes consumidores é pouco. Eles querem mais, precisam de mais e estão capacitados para mais.
A ambição deve ser transformá-los em stakeholders! Se o tema for relevante para as suas vidas, eles querem fazer parte dele, querem ser ouvidos e estar envolvidos.
O grau de participação do Painel C-Spotters (o grupo de 50 jovens que acompanhámos durante 6 meses) e o feedback final que nos deram é uma prova inequívoca de que esta geração quer inclusão.
Convidámos o Martim Avillez Figueiredo a propósito de um artigo que escreveu recentemente no Expresso (“Despertar”, 14-01-2012) a estar connosco. Na sua participação / interpelação - pertinente e muito em linha com as conclusões a que tínhamos chegado – deu grande ênfase ao facto do Grupo IMPRESA reconhecer que preparar o futuro impõe olhar seriamente para esta geração.
Longe de estereótipos e de etiquetas, que se comprovou não fazerem qualquer sentido, os media, os políticos e as empresas têm mesmo que lhes dar centralidade… o que é mais do que lhes dar palco.

Saturday, January 14, 2012

Austeridade antes e hoje

Paul Krugman escreveu um artigo recente que reflecte sobre o significado de austeridade revisitando a forma como foi vivida no passado e hoje. Numa semana em que o Banco de Portugal (BdP) anuncia a previsão de redução de 11% do consumo privado entre 2011 e 2013 e revê em baixa a contração do emprego para 2012, compreender melhor o que foi, o que é e o que pode ser no futuro viver a austeridade é pertinente.
Krugman inspira-se no que Tony Judt já escreveu sobre este tema (ver aqui) fazendo o paralelismo entre a austeridade do pós-guerra no Reino Unido – onde havia escassez, racionamento de bens mas pleno emprego – e a austeridade dos nossos dias - resultado da correcção de um deficit público insustentável e com registo de altos níveis de desemprego. Considerando, como ele refere, que o custo psicológico do desemprego é muito superior à perda de rendimento, a austeridade era na altura mais repartida e vivida por toda a sociedade. Uma austeridade mainstream. Uma austeridade que não era pobreza, era rigor nos gastos e na utilização dos recursos.
Tony Judt diz que os seus filhos quando comentam com os amigos as regras de sua casa - aproveitar sobras, consertar equipamentos, fechar as luzes – dizem: “Dad grew up in poverty” e ele corrige “I grew up in austerity”.
As crianças desta crise vão crescer em que austeridade? Haverá hipótese para generalizações? Quantas vão continuar a viver a sociedade de consumo e quantas, por oposição, vão viver em pobreza de facto?

Wednesday, December 28, 2011

Um Natal diferente II

Os dados publicados hoje pela SIBS, que já contam com a última semana pré Natal, confirmam o cenário de quebra do consumo (-6,6% em compras e -1,3% em levantamentos) mas confirmam também o perfil do consumidor de se render, nem que seja na última semana, ao que é tradicional da quadra (até dia 18, a quebra estava nos 8,2% só em compras).
O número de transações caiu apenas -1,7%... De facto o número de presentes em casa dos portugueses foi quase o mesmo.
Ainda não foi desta que tivemos um Natal mais austero?

Thursday, December 22, 2011

Um Natal diferente

Os dados SIBS publicados ontem relativos às compras e levantamentos até dia 18 retratam um Natal diferente para os consumidores, mas, acima de tudo, acreditamos que retratam um Natal muito diferente para os retalhistas e para as marcas. Os dados mostram um ajustamento que está a ser feito maioritariamente através da redução do ticket médio (-5,1%) e não do número de transacções (-3,2%).
Que leitura fazemos destes dados? Os portugueses estão a comprar (quase) o mesmo número de presentes? Acreditamos que não.
Face aos cartazes que um pouco por todo o país prometem descontos de 20% e 30%, parece-nos que estas compras podem representar uma antecipação de Janeiro e da época de saldos.
No ano passado a racionalidade acrescida do consumidor já o tinha levado a adiar presentes para pós Natal, tendo-se registado um aumento de compras com cartão de 14,6% entre 27 de Dezembro e 2 de Janeiro face ao homólogo. Esta despesa da semana pós Natal não é despiciente. Em 2010 foram 643 milhões de euros em compras, o que representa 30% do total de compras realizadas este ano entre 28 de Novembro e 18 de Dezembro.
Quanto deste dinheiro vai desaparecer?
Aguardamos as próximas semanas para fazer uma leitura mais precisa do nível de austeridade dos portugueses nesta quadra.

Wednesday, December 14, 2011

A urgência da poupança: uma missão impossível?

Face ao cenário de agravamento da Crise os Portugueses revelam uma mudança no horizonte temporal das suas preocupações. Segundo o Painel C (N=500), a preocupação em ter uma reserva de poupança, a ansiedade com a reforma e com o futuro dos filhos são indicadores que têm sofrido um claro agravamento ao longo de 2010 e 2011, demonstrando um refluxo das expectativas das últimas décadas e uma grande inquietação quanto à capacidade futura do Estado Social.
É inequívoco que a poupança está a ganhar uma nova utilidade e uma nova urgência. O que é que isto implica para os consumidores portugueses que, na sua maioria, ainda encaram a poupança como “o que sobra do consumo”?
Implica uma mudança relevante não só de gestão orçamental mas também na vivência do dia-a-dia. O consumo era para muitos uma "ocupação de tempos livres" e um importante espaço de afirmação e de felicidade (ainda que na maioria dos casos não assumido).
Mas se o rendimento das famílias se vai reduzir, como nos vamos tornar melhores aforradores? Teremos que penalizar seriamente o consumo. É uma equação difícil, que impõe repensar prioridades e um foco inequívoco no essencial.
Não será caso para utilizar a tradicional e tão portuguesa expressão “há males que vêm por bem”?
O Natal de 2012 será um importante teste a esta nova capacidade de dizer não ao consumo. Veremos...

Monday, December 5, 2011

Vida Privada: novos protagonistas e novas dinâmicas de consumo

Reconhecendo a evolução que a vivência das casas tem sofrido e a sua importância enquanto arena central de consumo, o C decidiu aprofundar em 2011 o conhecimento da vida privada dos portugueses e perceber quais os novos protagonistas (a tecnologia também figura como um) e a sua influência na evolução do modelo de consumo e do processo de compra.
Após mais de 60 horas de visitas e entrevistas em casas "reais", de mais de 300 fotografias tiradas e de incontáveis horas de análise do material, o Projecto C constatou que a vida das famílias portuguesas por trás das trincheiras é, no mínimo, surpreendente.
A casa é, sem dúvida, como temos vindo a dizer, um refúgio de conforto importantíssimo no contexto de tamanha incerteza que vivemos. Um espaço que contém as importantes dimensões de controlo micro reveladas nestas entrevistas (o frigorífico, a dispensa, as “suas coisas”).
Esta investigação, apresentada à Comunidade C no passado dia 30, mostrou-nos a vida como ela de facto é vivida, e não como o consumidor quer que a entendamos.